CONTRIBUIÇÃO DO ENSINO DE FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO PARA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
Irineu Claudino Sales
A educação é um importante fator que diz do desenvolvimento dos países. Num país como o Brasil que assume a posição de sétima economia mundial pouco se investe em educação. Hoje o País aplica cerca de 4% do PIB em educação, a previsão é de que até 2021 esse percentual aumente para 10%. A questão da transformação social passa necessariamente pela qualidade da educação, e esta por sua vez depende de maiores investimentos.
Temos convicção de que a educação sozinha não muda a sociedade. Mas, nenhuma sociedade muda sem a educação. Ao refletir sobre o papel da educação na sociedade, não podemos cair num otimismo ilusório que pensa a educação numa ótica redentora, e nem podemos nos deixar guiar por um pessimismo imobilizador.
[...] propõe-se compreender a educação dentro de seus condicionantes e agir estrategicamente para a sua transformação. Propõe-se desvendar e utilizar-se das próprias contradições da sociedade, para trabalhar realisticamente (criticamente) pela sua transformação. (LUCKESI, 2008, p. 51)
Para que isso aconteça é preciso que o educador se comprometa com seu papel enquanto mediador no processo de aprendizagem, e o aluno como aquele que busca novo patamar de conhecimentos, de modos de agir, de habilidades.
Os desafios para uma educação de qualidade vão desde a infra-estrutura, materiais e equipamentos, a uma verdadeira valorização dos profissionais da educação. É preciso investir mais recursos em educação, mas sempre norteados pelo objetivo da qualidade do ensino.
Se o objetivo da educação e especificamente do ensino de filosofia, é formar sujeitos históricos, críticos, conscientes de seus direitos e deveres, essa é uma missão que deve ser assumida com todo o empenho por professores, pais, alunos, e por toda sociedade que em sua grande maioria tem se contentado com uma educação insuficiente e de baixa qualidade.
O ensino de filosofia no ensino médio deve levar os nossos jovens a um verdadeiro assombrar-se da realidade em que vivem. A um descortinar da realidade, de modo a favorecer o surgimento de cidadãos conscientes e críticos de seu tempo. A formação de cidadãos críticos não é interessante para a classe dominante, que mais cedo ou mais tarde vai se ver questionada por tais sujeitos.
Mas, até mesmo á classe dominante é interessante que a educação seja de fato um direito universal, uma educação básica que ensine o indivíduo a lidar com o mundo de significações da escrita, de modo a facilitar sua inserção no campo de trabalho cada vez mais moderno e tecnológico. “[...] pode-se afirmar hoje que um trabalhador que não sabe pensar já não é útil para a produtividade moderna.” (DEMO, 1998, p.67)
A função da filosofia é levar o indivíduo a pensar, mas pensar de forma crítica que o capacite para uma ação reflexiva e fundamentada. Sendo assim, a principal contribuição do ensino de filosofia no ensino médio deve ser a contribuição para uma sociedade onde seus integrantes sejam sujeitos do processo histórico.
REFERÊNCIAS
DEMO, Pedro. A nova LDB: Ranços e avanços. São Paulo: Papirus, 1997.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação.São Paulo: Cortez, 2008.
SAVIANI, Dermeval. Da nova LDB ao FUNDEB: por uma outra política educacional. São Paulo: Autores Associados, 2008. 2 ed.