Os fatos que contemplei
nos últimos dias me fizeram recordar o pensamento do filósofo e sociólogo
alemão Theodor Adorno. O referido pensador diz que a “barbárie” leva os
indivíduos que a portam a praticar violências de todo tipo, a regredirem ao
estado de “primitivismo de violência injustificadas”[1]. O único remédio possível
seria a educação para autonomia que conduzisse a uma sociedade emancipada.
Fiquei estarrecido ao ler
a notícia de que um jovem de vinte e seis anos, tudo indica que devido ao
atropelamento acidental de um cachorro (registre-se caro leitor: quem nem
sequer morreu), foi parado à frente por um motociclista que lhe alvejou com uma
dezena de tiros que acabaram com sua vida. Tudo isso se deu na região
metropolitana de Belo Horizonte. Que tipo de gente é esta? Quem são estes que
amam os animais e matam um ser humano?
Outro noticiário que me
causou espanto foi sobre casos de racismos e homofobia que ocorreram durante a
Jornada Mundial da Juventude em Lisboa. Jovens brasileiros de uma comunidade
quilombola foram hostilizados e xingados de macacos por outros jovens que
provavelmente participavam do mesmo evento. Como pode num evento cristão
acontecer esse tipo de coisa? Que diferença o cristianismo faz na vida destes
agressores?
É triste prá cachorro!
Ver animais domésticos serem tratados como crianças de colo enquanto se agride
e mata, com tiro a queima roupa, a vida humana. Ver jovens pretensamente
cristãos serem tão intolerantes, racistas e homofóbicos. Chega de barbáries.
[1] Emancipação
e barbárie: Perspectivas de uma concepção dialética de educação em Theodor
Adorno. Disponível em: https://ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/existenciaearte/Edicoes/6_Edicao/Emancipacao_e_Barbarie_Perspectivas_de_uma_concepcao_dialetica_de_educacao_em_Theodor_Adorno.pdf.
Acesso em: 08 de ago. 2023.

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