sexta-feira, janeiro 06, 2023

CRÔNICA: O espetáculo da vida


Com dois amigos assisti parte das cerimônias finais pelo descanso eterno do já saudoso papa emérito Bento XVI, o humilde servo da vinha do Senhor como mencionou o Papa Francisco. Numa cena final acompanhamos o féretro adentrando a basílica de São Pedro e logo após as magníficas cortinas de veludo se fecharam, o espetáculo da vida do servo de Deus encontrou o ponto decisivo da morte. Para os gregos a vida era sempre considerada um grande espetáculo que sempre tinha como fim a morte, daí nasce o gênero da tragédia, para os gregos a vida não passava de um espetáculo trágico que mais cedo ou mais tarde chegaria ao ato final da morte o fechar as cortinas do palco do mundo dos vivos. Para nós cristãos a vida não é tirada, mas transformada. No momento decisivo da morte iremos ao encontro do Senhor, é isso que anseia nosso coração, este anseio que leva alguém na hora da morte a exclamar: “Senhor, eu te amo”.

De Roma recebi as impressões de um amigo que teve a oportunidade de participar pessoalmente da cerimônia. Fiquei surpreso pois ouvi o relato sobre a escassa participação dos fiéis leigos e leigas e ao mesmo tempo de uma grande parte de clérigos, outro ponto de destaque foi ver faixas com os dizeres “santo súbito”. O que este momento histórico de um Papa celebrando as exéquias de outro Papa pode nos revelar? O que podemos esperar? Já que o que nos move são as perguntas caminhemos com olhos abertos e com a lâmpada da fé acesa.

A nossa vida é um espetáculo único, não há tempo para ser perdido com uma atuação medíocre, a vida é um espetáculo exigente que requer de nós o melhor desempenho possível. Neste sentido, o espetáculo da vida de Joseph Aloisius Ratzinger merece cartaz. Uma vida cristã enriquecida pela graça do ministério ordenado com o qual serviu com amor e entrega total, uma vida pautada na verdade do Evangelho de Jesus Cristo que o levou a se tornar brilhante teólogo, um dos maiores do século XX. Um homem de Deus, portador das virtudes heroicas da fé, que conduzido pelo Espírito Santo se tornou o “primeiro servidor”, o papa da Igreja de Cristo, e ao mesmo tempo foi capaz de renunciar quando percebeu suas limitações e fragilidades para continuar com tão árdua missão. Uma vida longa e entregue pelo bem da missão da Igreja, será sempre lembrado como o Bento Bendito que vêm em nome do Senhor.

Louvamos ao Bom Pastor pela vida e missão do papa Bento XVI e rogamos que a vida de todos nós seja um verdadeiro espetáculo onde o Evangelho de Jesus Cristo seja o texto principal.

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