Celebramos o mês missionário no
Brasil com o tema “A Igreja é missão”, já nos alertava um pensador norte
americano “não é que a Igreja tenha uma missão, é a missão que têm uma Igreja” (WRIGHT, p 176). O Concílio Vaticano II afirmou:
“A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua
origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na missão do Filho e do Espírito Santo”
(AD, n.2). A Igreja existe para missão que é sempre Missio Dei (missão de Deus), e se nós somos Igreja somos todos
responsáveis por tornar o nome de Jesus Cristo conhecido e amado cada vez mais.
Neste ano, somos inspirados
pelo texto bíblico “Sereis minhas testemunhas” (At 1,8), escolhido pelo Papa
Francisco em sua mensagem para o Dia Mundial das Missões. Detenhamo-nos a
refletir sobre a mensagem do Santo Padre em três pontos do versículo bíblico
que ele mesmo destaca: “Sereis minhas
testemunhas”: como batizados pertencemos a uma comunidade de fé e somos
enviados em missão, enviados a fazer de nossa vida um testemunho credível da
nossa fé em Jesus Cristo, São Paulo VI afirmou: “O homem contemporâneo escuta
com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres (…) ou então, se escuta
os mestres, é porque eles são testemunhas” (EN, n. 41). “Até aos confins do mundo”: a missão tem o tamanho do mundo, ela é
universal. “A Igreja terá sempre de ir mais longe, mais além das próprias
fronteiras, para testemunhar a todos o amor de Cristo” (Papa Francisco), isto é ser “Igreja em saída
missionária”, uma Igreja que não fica presa na sacristia, parada em si mesma, mas
que se arrisca a ir aonde as pessoas estão vivendo os dilemas da vida, sem
preconceitos, sem rigidez, como fazia Nosso Senhor que sendo o missionário do
Pai ia encontrar as pessoas lá onde elas estavam. “Recebereis a força do Espírito Santo”: O Espírito Santo é o
verdadeiro protagonista da missão, “Ele
é a fonte divina inesgotável de novas energias e da alegria de partilhar com os
outros a vida de Cristo” (Papa Francisco). É o Espírito Santo quem nos
impulsiona a buscar na abertura e criatividade novas formas de anunciar a
verdade perene do Evangelho – Boa Nova da Salvação.
Assim, celebremos com alegria
o Dia Mundial das Missões, cuja coleta em todas as comunidades católicas se
destina ao Fundo Universal com que o Papa sustenta a atividade missionária. Esta coleta tem importância fundamental para
manter as dioceses mais carentes pelo mundo à fora. Quando a Missa acaba começa
a nossa Missão no meio do mundo, por isso somos enviados com as palavras da fé:
“Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe”. É na certeza de que o Senhor nos acompanha
que precisamos crescer na consciência missionária de batizados, pelo batismo recebemos
a missão de fermentar o mundo com o Evangelho. A alergia de ter Jesus Cristo
como nosso Salvador deve transbordar em nossa vida de tal maneira que as
pessoas possam olhar para nossa vida e afirmar que a nossa vida revela o rosto
de Jesus Cristo vivo e presente no meio de nós.
Para refletir:
1.
Como minha vida tem sido sinal do agir de Deus
no mundo? Minhas ações revelam o rosto de Jesus Cristo?
2.
Minha comunidade consegue evangelizar para além
da sacristia, conseguimos chegar a quem mais precisa receber a Boa Notícia do
Evangelho?
3.
Como posso contribuir para tornar minha
comunidade mais missionária?
REFERÊNCIAS:
BÍBLIA. A Bíblia Tradução Ecumênica. São Paulo: Loyola, 1996.
DECRETO CONCILIAR AD
GENTES. Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II. Paulus: São
Paulo, 1997.
Mensagem
de Sua Santidade Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões de 2022. Disponível
em:
<<https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/missions/documents/20220106-giornata-missionaria.html>>
Acesso em: 23 out. 2022.
PAULO VI, Papa. Exortação
Apostólica Evangelii Nuntiandi. 22 ed. São Paulo: Paulinas, 2011.
WRIGHT, Christopher J. H. A missão do povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2012. 1 ed.






