Nestes dias em que o ano vai
se esvaindo, como a areia escorrendo de uma ampulheta, estou tendo dias de
descanso e a oportunidade de pensar na vida e revisar minha caminhada de fé.
Subi em oração a montanha sagrada do Convento da Penha, e num dia atípico de
neblina e temperatura amena ouvi o pregador da Missa dizer três características
que nos apontam a sacralidade daquela montanha: o mar ao pé da colina
recordando a imensidão dos desígnios de Deus; o rochedo do monte recordando que
só Deus deve ser o fundamento de nossa vida; e a mata que protege a sacralidade
do Convento nos recordando a harmonia que deve existir entre fé e ecologia e ao
mesmo tempo a urgente conversão ecológica.
No alto do Convento,
naquele lugar sagrado aonde caminha entre os seus devotos (as) a Virgem da
Penha levando todos a encontrar seu sagrado Filho. Lá por mais de cinco séculos
se pode experimentar o auxílio divino pelos pequenos, pelos pobres, pelos
doentes, pelos necessitados, pelos excluídos, etc... É uma montanha que se
tornou verdadeira casa de Mãe, aonde todos podem entrar e encontrar acolhida.
Ao descer as ladeiras do
Convento da Penha contemplando a natureza exuberante e os famosos macaquinhos
barulhentos, minha irmã de modo desinteressado fez menção agradecida a todos
que desde os primórdios até os dias de hoje ajudaram e ajudam na construção e
manutenção daquele espaço multiplamente sagrado. E curiosamente em visita à
Casa de Memória de Vila Velha nos deparamos com um belo quadro de Luzia
Grimaldi, personagem histórica que se tornou a primeira mulher a comandar uma
capitania hereditária do Brasil Colônia. Luzia se tornou a capitoa do Espírito
Santo de 1589-1593, devido a morte de seu marido Vasco Fernandes Coutinho Filho
que morreu sem deixar herdeiros. A capitoa conduziu muito bem a capitania
chegando a defendê-la de uma tentativa de invasão dos ingleses. Foi justamente
Luzia Grimaldi que fez a doação em 1591 do terreno aonde seria construído o
futuro Convento da Penha, a primeira mulher a governar o Espírito Santo estava
convencida da sacralidade daquela montanha e dos benefícios que poderiam prover
daquele lugar para todos os capixabas de fé.
A gratidão é a memória do
coração, concordo com esta afirmação. Manifesto minha gratidão ao bom Deus que nos
permite acesso a um lugar tão especial como o Convento da Penha, lugar aonde podemos
caminhar com Maria e com Ela aprender as lições de Jesus. Mas manifesto também
minha gratidão aos homens e mulheres de fé que nos precederam e que colaboraram
de alguma forma para que o Convento da Penha continuasse e continue a ser um
lugar especial de encontro consigo mesmo, com os outros, com a natureza e
principalmente com Deus. E que nós possamos dar também nossa colaboração para que
o Convento da Penha possa se perpetuar como um lugar que expressa aquilo que de
melhor o nosso Estado tem para oferecer ao Brasil e ao mundo: o dom da fé.























