DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
Povo tirado de sua nação,
empreendido compulsoriamente numa viagem transatlântica rumo a uma vida de
trabalhos forçados. Quando o trabalho deste povo não mais era necessário, foram
substituídos como se fossem qualquer descartável, jogados fora. Mas, o ser
humano não é coisa, e este povo foi resignado a viver à margem da sociedade,
largados a própria sorte e competência. E justamente graças a competência desta
raça de cor forte é que mesmo sem qualquer recurso, lutaram e perseveraram por
seus direitos e hoje já conseguiram um espaço na sociedade, embora tal pequeno espaço
ainda precise ser alargado pelo respeito, por políticas públicas que garantam a
equidade de condições dentro deste caldeirão miscigenado que é o nosso Brasil.
Não penso ser plausível negar a
dívida étnica, social e moral que nosso País tem para com a raça negra, menos
louvável ainda ver que mesmo em meio a uma sociedade tão plural como a nossa
perduram preconceitos. O estereótipo dos três P's , pobre, preto e de periferia
não se esvai porque continuam a ser os negros a maior parte dos empobrecidos e
marginalizados.
São inaceitáveis qualquer tipo de
segregacionismo, sejam eles explícitos ou implícitos, pois não admitimos que
somos um país racista, mas na prática a coisa é outra. Todo cidadão têm o
direito de ter sua dignidade de pessoa humana respeitada. O negro tem o seu
valor, sua beleza, sua cultura, sua religiosidade, que precisam ser respeitadas
naquilo que são e representam.
Criar consciência não é algo
fácil, mas processual, neste sentido temos conseguido verdadeiras evoluções e
muito ainda temos que avançar no que diz respeito à consciência acerca do povo
negro. Cantamos em nosso Hino Nacional: "Do penhor desta igualdade",
igualdade utópica sim, mas que norteia ideais de um país mais equânime.