sexta-feira, abril 21, 2023

CRÔNICA: Primeiro dia dos Povos Indígenas

Um dia de reivindicação e não de celebração!

Em julho de 2022 foi criado o dia dos Povos Indígenas, fazendo avançar a reflexão do dia do Índio criado em 1943. No último dia 19 de abril de 2023 celebramos então o primeiro dia dos Povos Indígenas e tal mudança que não é só um recurso linguístico, mas uma mudança de interpretação e de valores. Logo, num primeiro momento nos perguntamos: Mas existe diferença entre índio e povos indígenas?

No nível de reflexão que temos na atualidade podemos afirmar que índio e povos indígenas são sim diferentes, embora etimologicamente as palavras se identifiquem. A palavra índio traz em si uma carga muito negativa, se olharmos no retrovisor da história lembraremos a chegada de Colombo às Américas, batizando as pessoas que já habitavam aqui de índios, pois pensava ter chegado a Índia. O sociólogo Gilberto Caldas nos ajuda a refletir sobre a carga da palavra índio: foi utilizada para designar sujeitos imputáveis, primitivos, selvagens, era sinônimo de incapaz.

Sabemos do poder das palavras e que elas exercem uma força muito grande no nosso jeito de enxergar a realidade concreta da vida. Daí a importância de usarmos de modo mais assertivo, com mais precisão conceitual, a expressão Povos Indígenas. Primeiramente a expressão povos faz alusão a protagonismo, a diversidade e abraça a multiplicidade. Já a expressão indígena (aquele que é virado para dentro) se refere a pluralidade de identidades culturais, de idiomas, de religião, de modos de vida. Daí ser mais apropriado a expressão Povos Indígenas.

No entanto, toda vez que trazemos para o centro do debate grupos, pessoas, ou temas que estão na marginalidade dos interesses, logo ouvimos vozes inconformadas com as mudanças que se propõe. Esquecem que a linguagem é vida e está o tempo todo se transformando e para além da dificuldade de aceitar o novo, preferindo fazer a manutenção das velhas expressões que legitimam os privilégios e exclusões de sempre, alimentam preconceitos históricos.

Segundo o antropólogo brasileiro, Darcy Ribeiro, o indígena quer ter direito ao seu pedacinho de terra para continuar sua cultura, seu idioma, sua religião, com vida descente. Mas, as terras indígenas são muito valiosas em todos os sentidos, por cima e por baixo, despertam a ganância de muitos que guiados pelo capital invadem as terras indígenas promovendo destruição e mortes. Por quantos genocídios já passaram os povos indígenas do Brasil? Até quando nossos indígenas conseguiram resistir? Como nos afeta a situação atual dos Yanomamis?

Mas, como bons brasileiros tenhamos esperança. Esta mudança conceitual que aqui apresentamos de modo singelo, já é sinal de algo está em transformação. Vemos também com bons olhos a escolha de Sônia Guajajara para assumir a pasta do Ministério dos Povos Indígenas, pasta recém-criada, sendo a primeira mulher indígena a ocupar um ministério. Esperamos que sejam abertos caminhos para efetivação das demarcações de terras indígenas, bem como políticas públicas de proteção e manejo sustentável destas áreas. Que os povos indígenas tenham assegurados os seus direitos a terra, a cultura, a vida descente e que possamos aprender com eles a cultura do bem viver. 



 

domingo, abril 16, 2023

CRÔNICA: Virgem da Penha sede de alegria do povo capixaba

Exposição fotográfica: “Festas de N. Sra da Penha: fé, esperança e devoção”

Celebrar o oitavário de Nossa Senhora da Penha é celebrar as alegrias e esperanças de um povo cheio de fé. O povo espírito-santense, que traz nas cores de sua bandeira a marca da devoção mariana, se reúne em diversas e até gigantescas romarias que expressam as mais variadas necessidades humanas e ao mesmo tempo exprimem a gratidão por tantas graças alcançadas.  

Vendo as fotografias nas redes sociais deste momento tão especial de celebração, bate a saudade em meu coração, ao mesmo tempo rezo e me ponho a refletir sobre a força da fé que transborda em tantos gestos dos romeiros e romeiras que se colocam a caminho do Convento da Penha. E com isso eu também me faço romeiro.

Em Vila Velha, uma das cidades mais antigas de nosso amado Brasil está a sede da alergia do povo capixaba, a casa da Mãe, o Convento de Nossa Senhora da Penha. Lá do alto daquela colina encantadora, de olhos arregalados e vibrantes, com seu Sagrado Filho ao colo, Nossa Senhora da Penha mira com seu olhar seus filhos e filhas devotos que peregrinam pelas estradas da vida iluminados pela fé e amparados com amor de Mãe. Temos uma Mãe que nos ama e cuida de nós.

Diante dos calvários que todos nós enfrentamos na vida: seja daquele (a) que foi desenganado (a) pelos médicos; seja dos desempregados (as); seja dos endividados (as); seja dos aflitos (as); seja dos sem teto deixados na sarjeta; seja dos toxicodependentes; seja dos sem oportunidades; seja dos oprimidos e discriminados; seja dos explorados; seja dos presidiários e rejeitados; seja dos violentados; e tantos outros inumeráveis calvários. Enfim... quando tudo parece sem saída, ainda temos a quem recorrer, e Ela como boa Mãe que é, intercede e faz o amor de Deus transbordar em milagres que se gravam na sala dos milagres, mas acima de tudo se gravam no coração agradecido dos seus filhos e filhas. O povo capixaba tem sede de alegria, de vida boa, de alegria não só para alguns, mas alegria para todos.

De modo muito merecido o dia de Nossa Senhora da Penha, a Senhora das Alegrias, tornou-se feriado estadual desde o ano de 2019, assim o Campinho do Convento pode tornar-se a grande casa de acolhimento da família de Deus, aonde todos podem se achegar, pode tornar-se sede de alegria e lugar aonde o povo sedento de vida boa pode beber esperança. 





 

Campanha da Fraternidade 2026: Tanta gente sem casa e tanta casa sem gente

  O tema da Campanha da Fraternidade 2026 é Fraternidade e Moradia, e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1, 14). Trata-se antes de tudo do ...