Elasticamente mães
Estou numa fase de aridez produtiva, travado para escrever. Mas, não posso deixar passar em branco a data que realça a beleza maternal, então nesta tarde cinza insisto em escrever, e me perdoe o leitor se me faltarem palavras.
Pensando sobre o assunto mãe, comecei a levantar proposições sobre o que realmente é esse negócio de ser mãe. E num turbilhão de ideias me lembrei de uma crônica da distinta amiga Jeanne Bilich, onde é colocado em questão o seguinte dito popular: "'Mãe é uma só.' Será?"
Se pensarmos o que caracteriza uma mãe, veremos que a resposta a este dito popular é sim e não. Sim porque mãe biológica só temos uma, haja visto, aquela fêmea que nos gera por meio da reprodução. Mas, a resposta também pode ser não, tendo em vista que mãe pode ser aquela que dispensa cuidados maternais, que presta assistência, que zela. Veja que a pequena palavra que gera tanto romantismo neste dia a ela dedicado, ganha então uma conotação mais universal e elástica.
Ser mãe é mais do que gerar, é vocação. "Dar a luz" não garante afetividade, cuidados e muito menos amor. Inumeráveis são os casos de mulheres que geram, que chegam ao momento da parturição e depois desprezam o nascituro como um excremento qualquer de seu corpo. Toda mulher está biologicamente preparada para ser mãe, mas vocacionalmente poucas são as mães.
O que encanta a todos nós quando falamos de nossas mães, não é o fato de termos sidos gerados no ventre delas, são os vínculos que foram estabelecidos antes e depois do parto é que verdadeiramente nos ligam numa relação dialeticamente maternal filial e filial maternal.
Pergunte-se senhor leitor: Quantas são as mães de sua vida? Com toda certeza todos nós experimentamos a "multiplicidade maternal", Jeanne nos pede que façamos nosso "mapa filial". No meu mapa tenho presente a figura da mãe-biológica, da mãe-irmã, da mãe-avó, da mãe-espiritual, da mãe-madrinha, mãe-intelectual, e um outro tanto, todas elas marcam e marcaram minha vida pelo aspecto do cuidado maternal em suas imensas facetas.
Já concluo este palavrório, dizendo que celebrar um dia dedicado as mães, é celebrar a vida que se reproduz não só por aspectos biológicos, mas pelo amor cuidadosamente maternal que vamos experimentando na nossa trajetória de vida. Um viva a todas as mães que povoam nossa história existencial!
| Minha mãe Elza. |
| Minha mãe-irmã |
| Elza minha mãe. |
| Minha mãe-avó |
| Minha mãe-madrinha |