COMPILAÇÕES
II: AUDIÊNCIA COM O SANTO PADRE O PAPA FRANCISCO
TEMA: A iniciativa do chamado de
Deus se percebe no coração, e si
transforma em um contínuo convite a vida
em Cristo e ao serviço na sua Igreja.
06
de julho de 2013.
A
audiência aconteceu na Sala Paulo VI com a presença dos participantes da
peregrinação à Tumba do Apóstolo São Pedro, para este momento foram feitos
testemunhos de vida de um padre norte-americano, uma freira de clausura, um
leigo pai de família. Entre os testemunhos foram feitas apresentações musicais.
Quinze
minutos antes do horário marcado Sua Santidade adentrou a Sala Paulo VI com o
anúncio repentino do apresentador, debaixo de muito alvoroço o Papa passou
entre os peregrinos para se dirigir ao local onde faria seu pronunciamento. No
caminho avistou uma velha irmã de caridade que possuía um olhar singular de
vida e alegria, o Papa então pediu a seus seguranças que a trouxessem para
frente pois a idosa estava comprimida no meio da multidão afoita por tocar seu
Pastor. A velha senhora recebeu um afetuoso afago do Papa Francisco que seguiu
para seu lugar.
O
cardeal Rino Fisichella fez as honras ao Santo Padre e passou a palavra, neste
momento quando retornava para sua cadeira foi interrompido pelo Papa que se
levantou e foi atrás de Fisichella sem qualquer cerimônia. O Papa voltou rindo
e disse: "Vocês devem estar se perguntando o que eu fui falar com o
cardeal Fisichella. Bem, eu fui perguntá-lo se todos vocês entendem italiano,
mas fui informado que todos vocês possuem a audio-linha então posso ficar
tranquilo". A multidão irrompeu em palmas, como aconteceu freneticamente
em cada conclusão das falas do Papa.
Para
começo de conversa o Papa Francisco fez uma correção à fala do cardeal
Fisichella, disse que ele não pensa, mas tem certeza de que todos que estavam
ali são pessoas, jovens que querem dar a vida toda para o serviço na Igreja.
"Todos vós tendes o desejo de doar a vida toda para o serviço na Igreja,
agora vocês aplaudem minhas palavras e o fazem como os noivos indo para as núpcias,
mas e depois das núpcias?"
Vivemos
no mundo da cultura do provisório, toda escolha diferente e definitiva é
difícil de ser aceita e é vista com estranheza. Durante o pronunciamento o Papa falando em italiano soltou uma buona
tarde ao invés de buona cera, Ele riu e corrigiu sua fala. Nosso coração possuí
a fechadura do lado de dentro, não podemos deixá-lo à mercê das novidades, é
preciso que saibamos abri-lo no tempo certo para que Cristo entre e fique
conosco. Só assim seremos capazes de sentir a alegria do Cristo e não a alegria
do mundo.
Cuidado
com as alegrias superficiais que o mundo oferece, nos alertava o Papa
Francisco, "Me entristece o coração quando vejo um padre ou uma madre com
um automóvel de última geração. Gostaria que quando vocês fossem comprar seus
automóveis que se lembrassem das crianças que morrem de fome". Tal fala
rodou o mundo e causou desconforto de alguns clérigos, não podemos nos esquecer
que o Santo Padre tem o voto de pobreza e seu próprio nome Francisco exige dele
atitudes de despojamento como esta. Brincou o Papa olhando para um dos cardeais
presentes: "Mas temos muitos monsenhores que andam de bicicleta".
Em
busca de alegrias superficiais os jovens tem se entregado a relacionamentos
instáveis, trocando de parceiro com uma facilidade tremenda, o que demonstra
uma insegurança tamanha nos relacionamentos amorosos. A verdadeira felicidade
está em sentir-se gente, criatura amada de Deus, e isto não está no ter e
consumir. A todos Deus nos diz: "Você é importante para mim". É
preciso sentir-se amado por Deus, pois para ele não somos números, mas pessoas,
chamados porque foram escolhidos. "Eu desconfio daquele seminarista que
diz: 'Eu escolhi este caminho'. Não confio neste seminarista, nossa é a resposta
quem chama é Deus".
Como
bem dizem os santos da Igreja "O bem difundi-se", a alegria também,
não tenham vergonha da alegria de serem chamados. "Fico pensativo quando
vejo alguns seminaristas tristes ou sérios demais, e digo: assim não vai. Nestes
irmãos falta a alegria do Senhor, aquela alegria que transborda no olhar do
missionário mesmo depois de tantos anos de doação de vida, como esta pequenina
irmã que acolhi hoje aqui, ela está cheia da alegria do Senhor."
Alguns
padres, seminaristas e freiras vivem com a cara de quem bebeu vinagre, nunca
sorriem. Não há santidade na tristeza. Santa Tereza nos disse que "um
santo triste é um santo triste", assim não funciona. O problema é de
satisfação, o Papa Francisco disse que o âmago da questão é um problema de
celibato, problema de consagrar o amor a Jesus. O voto do celibato vai adiante
na vida , a tristeza é a falta de paternidade e maternidade, a má vivência do
voto. "Padre feliz é aquele que dá a vida, e a dá porque a encontra em
Jesus".
Existe
um problema de autenticidade, Jesus brigava com os hipócritas, ninguém gosta de
padres ou freiras que não autênticos. Exemplos de coerência é disso que os
jovens precisam, coerência e autenticidade. Lembrando São Francisco:
"Cristo nos enviou para anunciar o Evangelho mesmo com as palavras".
É preciso coerência de vida, pregar com o exemplo e a palavra.
"Cuidado,
neste mundo a riqueza faz tanto mal. Tenham transparência com seu confessor,
falem de tudo com ele, lembrem-se da samaritana. Dizei sempre a verdade, ela
nos torna humildes a todos nós. Dizei a verdade sem esconder nada. Jesus perdoa
sempre, repito, Jesus perdoa sempre. Tenham um único confessor, nada de ficar
fazendo uma jornada de penitência, cada vez confessando com um padre diferente.
Do próprio pecado superabunda a graça".
Neste
momento Sua Santidade pára e pergunta: "Até que horas monsenhor
Fisichella?". O Papa seguiu seu discurso dizendo da importância de uma
preparação cultural para dar razões da fé e esperança, hoje não podemos dar
nada por certo. O Papa enumerou quatro pilares da formação: espiritual,
intelectual, apostólico e comunitário. A formação deve ocorrer em comunidade
onde devemos edificar a vocação nas relações de fraternidade. O Papa Francisco
disse que conheceu comunidades onde a jaculatória mais comum é o papo fiado, falar mal um dos outros e não
só do reitor, porque isso é clássico até o Papa afirmou já ter feito isso.
"Esta comunidade é um inferno. Na comunidade os amigos são poucos, mas a
fraternidade é para todos. Pensem nisso. Não falem mal do outro, vá você e fale
diretamente com ele. Você falaria mal de sua mamãe, de seu papai, de seus
irmãos? Digo que não, então por quê vocês fazem isso na comunidade. Tenham
cuidado com o isolamento e com a dissipação, é preciso cultivar amizades que
nos levem a sair de nós mesmos. Saiam de vós mesmos para encontrar a Jesus no
outro. Não tenham medo de sair de vós próprios. Para pregar o Evangelho
gostaria de uma Igreja mais contemplativa e missionária. Nunca deixemos de
encontrar Jesus na oração. Não aprendam conosco, os velhos, o culto da
lamentação. Sejam capazes de encontrar as pessoas. Rezem o rosário, Maria nos
acompanha e protege, rezem também por mim. Tenham fecundidade pastoral e
missionária, não sejam solteirões e solteironas".
Após
a audiência com o Santo Padre, seguimos de imediato para procissão mariana nos
jardins do Vaticano, para encerrar o dia ouvimos uma breve reflexão sobre a
vocação de ser discípulos de Jesus, proferida pelo Cardeal Dom João Braz de
Aviz, brasileiro prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada
e as Sociedades de Vida Apostólica, que afirmou: "Deus faz da vocação uma
eleição".

