quarta-feira, novembro 05, 2025

CRÔNICA: Ele morreu sufocado na lama.

 

O sino tocou nota fúnebre na Catedral. Quem morreu? Alguém perguntou. Foi o Rio Doce que morreu, anuncia a Igreja Local de Colatina, que desde o rompimento da barragem, prometeu através do seu então bispo diocesano Dom Wladimir Lopes Dias que não se esqueceria, que não deixaria que a lama do esquecimento tomasse conta.

Era o dia 5 de novembro de 2015, aconteceu o rompimento da barragem em Mariana (MG), deixando 19 vítimas fatais e um prejuízo ambiental incalculável. Era, até então, a maior tragédia socioambiental do País. A Diocese de Colatina foi diretamente atingida nas cidades de Baixo Guandu, Colatina e Linhares. Falar de desastre parece falar de um desastre natural, no entanto, podemos até chamar de desastre, mas nunca pensar que foi natural, suas causas são facilmente identificáveis... Diante do desastre, ficamos sem saber qual rumo tomar. Mas, desde então, não medimos esforços no compromisso de não esquecer essa tragédia sem precedentes e suas graves consequências.

Foi criado o “Manifesto Unidos pelo Rio Doce”, uma iniciativa que manifestava nosso repúdio e exigência pela reparação dos danos causados. A Igreja não esqueceu e é uma voz que não se calará! Por isso, participamos nesta tarde de um manifesto ecumênico e novamente afirmamos: “Somos todos atingidos!”

Já se vão dez anos do rompimento da barragem de Fundão, o maior desastre ambiental do Brasil. Passados dez anos quem foi condenado? A Justiça Federal, em 2024, absolveu a Samarco, a Vale e a BHP. Condenado foi o povo, que não usa com tranquilidade a água de qualidade duvidosa; condenados foram a fauna e a flora do Rio Doce; condenados foram os ribeirinhos e povos originários que viviam em suas margens; condenados foram nossos descendentes que terão que lidar com os efeitos nocivos dos metais pesados que se encontram ao longo da calha do rio. No caminho de conversão ecológica precisamos aprender que o lucro não vale a vida! Que em meio a lama possa brotar a perfumada flor da esperança em dias melhores, que neste ano do Jubileu da Esperança possamos construir com as ferramentas de hoje um novo amanhã.



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