Aponto três fatos que
podem nos ajudar a refletir sobre a vocação no seu sentido amplo, como chamado
de Deus a cada batizado a cumprir uma missão no meio do mundo, e no sentido
específico das vocações aos ministérios ordenados e a vida consagrada.
Estamos em pleno o terceiro
Ano Vocacional da Igreja no Brasil, existe toda uma programação nacional para
fomentar uma cultura vocacional que seja capaz de auxiliar os jovens fiéis no discernimento
das diversas vocações, bem como seja capaz de fomentar e promover as vocações
específicas para o ministério ordenado ou para vida consagrada e religiosa. O tema do Ano Vocacional é o seguinte: “Vocação:
Graça e Missão”. É imprescindível auxiliar nossos jovens no discernimento
vocacional para que possam tomar decisões mais livres e conscientes sobre o
destino de suas vidas. Numa sociedade tão atordoada com tantos estímulos,
crises e oportunidades, à luz da fé cabe a Igreja auxiliar seus fiéis num
caminho de discernimento vocacional. Todos os batizados são vocacionados, ou
seja, chamados por Deus para uma grande e bela missão, e neste contexto é Deus
quem ainda hoje continua a chamar alguns homens e mulheres para consagrarem-se
integralmente ao serviço da proclamação da Boa Nova do Evangelho. Deus continua a chamar, no entanto, como
fazer para auxiliar os nossos jovens a serem sensíveis aos apelos divinos? Como
fomentar uma cultura vocacional que ajude as pessoas a descobrirem em suas
vocações o sentido da vida? Como responder livremente ao chamado de Deus e a
seu projeto de amor para cada um de nós?
Segundo dados do Anuário
Católico 2023, que analisa os dados do ano precedente, o número de católicos no
mundo teve um aumento de 1,3%, totalizando 1,37 bilhão de fiéis. Já o número de
ministros ordenados teve uma diminuição de 0,57% no ano de 2022. O ministério
ordenado se direciona ao serviço do ministério comum dos fiéis, ou seja, o
ministério ordenado existe para o serviço do ministério comum. O que será que
os dados do Anuário Católico podem nos ajudar a refletir sobre os ministérios
na Igreja? Será que estamos vivendo uma crise dos ministérios ordenados? Como
podemos promover a missão e os ministérios dos cristãos leigos e leigas?
No fim de semana passado,
participei de uma ordenação presbiteral, um jovem cheio de potencial e contando
com a vitalidade dos seus 28 anos de idade. Era bonito ver no rosto do jovem a
alegria em assumir a missão de servidor do Evangelho, o sorriso no rosto
expressava a confiança na entrega de sua vida como um dom agradável a Deus e
aos irmãos. Têm sido uma preocupação no Brasil, imagino que também em outros
países, o perfil dos padres novos, no entanto é preciso pensar também no perfil
da comunidade eclesial que gera estes perfis de padres, e é justamente o que
será assunto do próximo livro do pesquisador e teólogo Agenor Brighenti que em
2021 escreveu a obra “O novo rosto do
clero: perfil dos padres novos no Brasil”. Jesus de Nazaré, o Bom Pastor, é
modelo para nossos ministros ordenados? Que tipo de padres nós sonhamos para nosso
povo? Que tipo de consagrados e religiosas nós queremos entre nós?
Penso que para as questões
aqui elencadas não temos respostas para algumas delas, para outras não temos
uma única resposta, mas é importante admitirmos estas realidades para caminhar
com os pés no chão assumindo as contradições e incoerências do caminho e ao
mesmo tempo sem perder a esperança que brota da confiança em Deus que sempre
nos acompanha. Enfim, que em cada padre, em cada religioso (a), em cada
consagrado (a) o povo de Deus possa encontrar um reflexo de Jesus Cristo vivo e
presente no meio do mundo.
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