terça-feira, março 28, 2023

TEXTO: Somos todos vocacionados


Aponto três fatos que podem nos ajudar a refletir sobre a vocação no seu sentido amplo, como chamado de Deus a cada batizado a cumprir uma missão no meio do mundo, e no sentido específico das vocações aos ministérios ordenados e a vida consagrada.

Estamos em pleno o terceiro Ano Vocacional da Igreja no Brasil, existe toda uma programação nacional para fomentar uma cultura vocacional que seja capaz de auxiliar os jovens fiéis no discernimento das diversas vocações, bem como seja capaz de fomentar e promover as vocações específicas para o ministério ordenado ou para vida consagrada e religiosa.  O tema do Ano Vocacional é o seguinte: “Vocação: Graça e Missão”. É imprescindível auxiliar nossos jovens no discernimento vocacional para que possam tomar decisões mais livres e conscientes sobre o destino de suas vidas. Numa sociedade tão atordoada com tantos estímulos, crises e oportunidades, à luz da fé cabe a Igreja auxiliar  seus fiéis num caminho de discernimento vocacional. Todos os batizados são vocacionados, ou seja, chamados por Deus para uma grande e bela missão, e neste contexto é Deus quem ainda hoje continua a chamar alguns homens e mulheres para consagrarem-se integralmente ao serviço da proclamação da Boa Nova do Evangelho. Deus continua a chamar, no entanto, como fazer para auxiliar os nossos jovens a serem sensíveis aos apelos divinos? Como fomentar uma cultura vocacional que ajude as pessoas a descobrirem em suas vocações o sentido da vida? Como responder livremente ao chamado de Deus e a seu projeto de amor para cada um de nós?  

Segundo dados do Anuário Católico 2023, que analisa os dados do ano precedente, o número de católicos no mundo teve um aumento de 1,3%, totalizando 1,37 bilhão de fiéis. Já o número de ministros ordenados teve uma diminuição de 0,57% no ano de 2022. O ministério ordenado se direciona ao serviço do ministério comum dos fiéis, ou seja, o ministério ordenado existe para o serviço do ministério comum. O que será que os dados do Anuário Católico podem nos ajudar a refletir sobre os ministérios na Igreja? Será que estamos vivendo uma crise dos ministérios ordenados? Como podemos promover a missão e os ministérios dos cristãos leigos e leigas?

No fim de semana passado, participei de uma ordenação presbiteral, um jovem cheio de potencial e contando com a vitalidade dos seus 28 anos de idade. Era bonito ver no rosto do jovem a alegria em assumir a missão de servidor do Evangelho, o sorriso no rosto expressava a confiança na entrega de sua vida como um dom agradável a Deus e aos irmãos. Têm sido uma preocupação no Brasil, imagino que também em outros países, o perfil dos padres novos, no entanto é preciso pensar também no perfil da comunidade eclesial que gera estes perfis de padres, e é justamente o que será assunto do próximo livro do pesquisador e teólogo Agenor Brighenti que em 2021 escreveu a obra “O novo rosto do clero: perfil dos padres novos no Brasil”. Jesus de Nazaré, o Bom Pastor, é modelo para nossos ministros ordenados? Que tipo de padres nós sonhamos para nosso povo? Que tipo de consagrados e religiosas nós queremos entre nós?

Penso que para as questões aqui elencadas não temos respostas para algumas delas, para outras não temos uma única resposta, mas é importante admitirmos estas realidades para caminhar com os pés no chão assumindo as contradições e incoerências do caminho e ao mesmo tempo sem perder a esperança que brota da confiança em Deus que sempre nos acompanha. Enfim, que em cada padre, em cada religioso (a), em cada consagrado (a) o povo de Deus possa encontrar um reflexo de Jesus Cristo vivo e presente no meio do mundo.

Acesse: <https://anovocacional.cnbb.org.br/>


quarta-feira, março 08, 2023

CRÔNICA: Jesus fala com a mulher (Jo 4, 27)

 

Neste dia Internacional da Mulher, comemorado desde 1911, nos perguntamos o que temos para celebrar? Percebemos avanços na conscientização da igualdade de gênero, mas ao mesmo tempo percebemos o quanto ainda precisamos caminhar ativamente para vencer as desigualdades e violências a que são submetidas as mulheres simplesmente por serem mulheres.   

Deus ama as meninas e as mulheres?

Lendo uma teólogo francesa chamada Anne Soupa, em sua obra “Deus ama as mulheres?” podemos ler: “A mulher que Deus cria é amada por quem ela é, sem que Deus lhe designe um lugar predeterminado, nem papel específico” (SOUPA, p. 113). Anne como militante da causa feminina defende a irracionalidade de legitimar religiosamente e biblicamente a superioridade de um gênero sobre outro e nos aponta a igual dignidade com que Deus criou o homem e a mulher. A referida autora ainda afirma que na Igreja a questão da mulher ainda não está resolvida, as mulheres são como formiguinhas que trabalham silenciosamente, mas que ainda precisam ocupar seus lugares de direito nas instâncias de decisão e de governo da Igreja, para tal propõe que é necessário um “Sínodo das Mulheres”.

O Brasil ama as meninas e as mulheres?

A jovem atriz Klara Castanho se tornou símbolo da mulher violentada, da violência contra as grávidas, e trouxe à tona a sórdida culpabilização das vítimas, que cala tantas mulheres agredidas em sua dignidade. Uma mulher foi agredida com um carinho de supermercado em Santo Antônio do Descoberto, cidade de Goiás, e o homem foi acusado simplesmente de lesão corporal leve pelo delegado responsável pelo caso. Outra mulher foi agredida recentemente pelo ex namorado num posto de combustíveis, em Londrina. Dados de uma pesquisa sobre violência de gênero revelam que no ano passado 35 mulheres foram agredidas a cada minuto no Brasil (Fórum Brasileiro de Segurança Pública). O feminicídio em nosso País bateu o triste recorde de 699 mortes em 2023, uma média de quatro mulheres assassinadas diariamente. Entre as mulheres negras e pouco escolarizadas a violência é ainda maior, no entanto, permanece velada como reflexo de uma sociedade forjada sobre a escravidão negra onde os corpos negros não passavam de mercadoria.

Cadê as leis?

Temos a Lei Maria da Penha que em si mesma é um recurso muito válido no combate a violência contra a mulher, mas que ainda precisa ser melhor aplicada, quantos são os relatos de mulheres que mesmo acionando a Justiça não se sentem protegidas e amparadas. Esperamos, para a data de hoje, a apresentação de um texto com um projeto de Lei para igualar o salário de mulheres e homens que exercem a mesma função. Que a Justiça seja promotora do combate a histórica desigualdade de gênero.

Esperançar com as meninas e mulheres.

Está é uma causa que diz respeito a homens e mulheres, que se reconhecem nas suas diferenças, que se respeitam, que querem a construção de um mundo melhor onde reine a justiça, a paz, o amor. Que a voz, das meninas e das mulheres, possa se erguer num grito de protesto contra toda violação de sua dignidade e de seus direitos. Nosso Senhor Jesus Cristo se fez amigo das mulheres, escutava, acolhia, não tinha medo das mulheres... Sim, é preciso dizer o óbvio, Deus ama as meninas e as mulheres.


Pelo direito à felicidade de nossas meninas e mulheres. 


Campanha da Fraternidade 2026: Tanta gente sem casa e tanta casa sem gente

  O tema da Campanha da Fraternidade 2026 é Fraternidade e Moradia, e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1, 14). Trata-se antes de tudo do ...