quinta-feira, dezembro 28, 2023

CRÔNICA: Lá caminha a Virgem da Penha

Nestes dias em que o ano vai se esvaindo, como a areia escorrendo de uma ampulheta, estou tendo dias de descanso e a oportunidade de pensar na vida e revisar minha caminhada de fé. Subi em oração a montanha sagrada do Convento da Penha, e num dia atípico de neblina e temperatura amena ouvi o pregador da Missa dizer três características que nos apontam a sacralidade daquela montanha: o mar ao pé da colina recordando a imensidão dos desígnios de Deus; o rochedo do monte recordando que só Deus deve ser o fundamento de nossa vida; e a mata que protege a sacralidade do Convento nos recordando a harmonia que deve existir entre fé e ecologia e ao mesmo tempo a urgente conversão ecológica.

No alto do Convento, naquele lugar sagrado aonde caminha entre os seus devotos (as) a Virgem da Penha levando todos a encontrar seu sagrado Filho. Lá por mais de cinco séculos se pode experimentar o auxílio divino pelos pequenos, pelos pobres, pelos doentes, pelos necessitados, pelos excluídos, etc... É uma montanha que se tornou verdadeira casa de Mãe, aonde todos podem entrar e encontrar acolhida.

Ao descer as ladeiras do Convento da Penha contemplando a natureza exuberante e os famosos macaquinhos barulhentos, minha irmã de modo desinteressado fez menção agradecida a todos que desde os primórdios até os dias de hoje ajudaram e ajudam na construção e manutenção daquele espaço multiplamente sagrado. E curiosamente em visita à Casa de Memória de Vila Velha nos deparamos com um belo quadro de Luzia Grimaldi, personagem histórica que se tornou a primeira mulher a comandar uma capitania hereditária do Brasil Colônia. Luzia se tornou a capitoa do Espírito Santo de 1589-1593, devido a morte de seu marido Vasco Fernandes Coutinho Filho que morreu sem deixar herdeiros. A capitoa conduziu muito bem a capitania chegando a defendê-la de uma tentativa de invasão dos ingleses. Foi justamente Luzia Grimaldi que fez a doação em 1591 do terreno aonde seria construído o futuro Convento da Penha, a primeira mulher a governar o Espírito Santo estava convencida da sacralidade daquela montanha e dos benefícios que poderiam prover daquele lugar para todos os capixabas de fé.

A gratidão é a memória do coração, concordo com esta afirmação. Manifesto minha gratidão ao bom Deus que nos permite acesso a um lugar tão especial como o Convento da Penha, lugar aonde podemos caminhar com Maria e com Ela aprender as lições de Jesus. Mas manifesto também minha gratidão aos homens e mulheres de fé que nos precederam e que colaboraram de alguma forma para que o Convento da Penha continuasse e continue a ser um lugar especial de encontro consigo mesmo, com os outros, com a natureza e principalmente com Deus. E que nós possamos dar também nossa colaboração para que o Convento da Penha possa se perpetuar como um lugar que expressa aquilo que de melhor o nosso Estado tem para oferecer ao Brasil e ao mundo: o dom da fé.  

 




CRÔNICA: Fim de ano e as ansiedades: o remédio da fé cristã

No fim do ano a ansiedade aumenta em nossos corações, ouvi num telejornal que a ansiedade cresce em cerca de 75%, não me pergunte como se mede isso caro (a) leitor (a). No estrangular derradeiro do ano começamos a melancólica avaliação, uma análise das metas programadas, contabilização dos resultados obtidos, etc. Uma lógica de produção toma conta de nós, como se a produção fosse o único critério para sabermos se obtivemos ou não sucesso em nossas empreitadas.

A vida humana é muito mais complexa do que metas pré-fixadas. Graças à Deus estamos submetidos às surpresas da vida, as vezes promissoras e alegres ora desastrosas e tristes. Infelizmente os critérios do consumismo é que tem sido utilizados para afirmar uma vida feliz. Se você consome, você existe e é feliz. Se você não consome você é o único responsável pela sua má sorte de vida. Cruelmente afirma-se que qualquer pessoa pode ser o que quiser, basta querer. Mas que mentira cabeluda, afirmava uma canção popular.

Ao fim deste ano fico pensamento em quantos lugares pude visitar e conhecer; com quantas pessoas partilhei a vida; quanto conhecimento tive a oportunidade de obter ... De fato, foram muitas atividades e experiências de crescimento e humanização. Naturalmente chegamos nesta hora do ano com certo cansaço e exaustão, pois o tempo não para e nossas vidas estão cada vez mais aceleradas.

No meio deste turbilhão a fé cristã pode oferecer o desejado descanso e o remédio necessário para a avidez capitalista. É de Jesus Cristo a expressão: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sobre o peso dos vossos fardos que eu vos darei descanso, tomai sobre vós o meu julgo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (cf. Mt 11, 22-30). Com Jesus aprendemos uma lógica que vai na contramão da lógica do acúmulo e do consumo. Com o mestre Jesus aprendemos a lógica da simplicidade, do necessário, da humanização, do altruísmo, enfim a lógica do amor.

Infelizmente os homens e a mulheres de nosso tempo pensam que não precisam de Deus, talvez por isso o mundo está como está. Nós que temos a alegria de sermos abençoados com a presença de um Deus que se importa conosco e que se faz próximo, não podemos guardar esta alegria só para nós. O mundo tem sede de salvação, e esta salvação tem nome, é uma pessoa chamada Jesus Cristo. Caro (a) leitor (a) o tom religioso desta crônica visa suscitar esperança num mundo tão complexo e cheio de sombras, num mundo aonde já vivemos uma “terceira guerra mundial em pedaço” (expressão do papa Francisco). Que a fé se renove em nossos corações e que venha o próximo ano e que ele nos encontre lutando pela construção de um mundo melhor. 



 

Campanha da Fraternidade 2026: Tanta gente sem casa e tanta casa sem gente

  O tema da Campanha da Fraternidade 2026 é Fraternidade e Moradia, e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1, 14). Trata-se antes de tudo do ...