O que dizer?
Retornando das terras do norte deste País continental,
convenço-me de quão imenso é o nosso Brasil varonil. Mas, o que dizer do que lá
vi? Como foi nossa missão?
Com a finalidade de sermos cada vez mais discípulos missionários, segundo os ventos de Aparecida,
estivemos eu e mais cinco companheiros no Pará. Exatamente estivemos visitando
a Diocese de Marabá, alguns de seus distritos e municípios, nos irmanando pelo antigo
Projeto da CNBB Igreja Irmãs.
Antes de tudo quero ressaltar a acolhida fraterna e
disponibilidade do povo deste lugar, que desde o início se mostraram muito
disponíveis para nos receber. O calor proveniente do clima tropical semi-úmido
bem representa o afeto dos paraenses. Esperava encontrar em Marabá uma cidade
pequena, me admirei ao constatar que se trata de uma grande cidade.
Um verdadeiro caldeirão de etnias é Marabá, "Filho da
Mistura", fruto da união de gente diversa proveniente das mais variadas
localidades. Gente que foi parar lá, atraído por sonhos movidos pelos mais
diferentes combustíveis: comércio, extrativismo, seringa, madeira, minério de
ferro, ouro...
Me pediram que desse um parecer sobre o povo, disse que tudo
o que dissesse seria limitado diante da grandiosidade daquela gente, mas ousei
dizer: Vocês são o povo da esperança, que caminha a mais de cem anos em busca
da "Terra prometida". Vocês são um povo de sonhos, sonhos dourados e
febris, sonhos de vida melhor e digna. Vocês são o povo de luta e sofrimentos,
que na peleja já conheceram massacres sangrentos cujo sangue dos sem número de
mártires ainda pulsa por justiça. Vocês são um povo abençoado por natureza, com
seus imensos rios navegáveis, com seu minérios valiosos, com suas fantásticas e
ricas florestas. Vocês são uma das faces desta nação brasileira.
