segunda-feira, julho 15, 2013

TEXTO: A vocação e os ensinamentos do Concílio Vaticano II.

COMPILAÇÕES I: CATEQUESE COM O GRUPO LINGUÍSTICO DE PORTUGUESES
TEMA:  A vocação e os ensinamentos do Concílio Vaticano II.
5 DE JULHO DE 2013.
Dom Nuno
Santo Antônio dos Portugueses

Estivemos participando da catequese com o grupo linguístico dos portugueses, éramos cerca de cinquenta pessoas na grande maioria de portugueses de Lisboa, brasileiros nesta catequese eram cerca de quinze pessoas do sul e região sudeste do Brasil. O local da catequese foi a Igreja de Santo Antônio dos Portugueses, uma construção mais velha que o nosso Brasil, foi construída pouco antes de 1500.

O pregador da catequese foi o bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa Dom Nuno Brás da Silva Martins, que por muito tempo foi reitor do Seminário Maior Cristo Rei dos Olivais e também é professor da Gregoriana. A seguir tentamos transcrever alguns trechos da catequese, trechos estes que não são ipsis litteris, mas que guardam o cerne da mensagem que nos foi apresentada e que queremos repassar.

Ao iniciar sua fala o Dom Nuno disse da dificuldade de falar sobre uma temática tão abrangente em pouco tempo, e deu seguimento a sua fala abordando a Constituição Dogmática Dei Verbum que ele considera ser a essência do Concílio Vaticano II. "A temática principal deste documento não é a Bíblia, mas este é um documento sobre a Revelação. Deixa-nos claro que a Bíblia é a Palavra de Deus revelada". Afirmou o Bispo.

Dom Nuno pediu desculpas e retirou seu solidéu dizendo não se dar bem com a peça que compõe a sua vestimenta de bispo, logo após novamente se desculpou e ficou de pé, já que não é seu costume falar sentado. Interessante observar que nestes atos simples de quebrar o protocolo ficou claro para nós o que o essencial está para além de pequenos detalhes. Foi abordado também a exortação apostólica Pastores Dabo Vobis, que diretamente fala da vocação e formação dos futuros presbíteros.

Seguindo a temática maior de toda peregrinação, "Eu confio em Ti",  foi discutido sobre o nascimento da vocação que é sempre um chamado de Deus. "Não entendo quando vejo vocacionados, seminaristas que dizem estar nos seminários por ter escolhido estar ali. Tá errado, antes de tudo a vocação é resposta ao chamado de Deus. É ele quem primeiro nos escolhe e elege". É Deus quem escolhe aqueles que Ele quer para serem seus representantes.

Com o mal da secularização é cada vez mais perigoso confiar em nossas forças  e capacidades, é preciso confiar e colocar a nossa esperança em Deus, só assim seremos plenamente pessoas de Deus que renovam sua presença no mundo. A onda secularizada diz que o seminarista e o noviço tem que ser igual a todo jovem, fazer o que eles fazem, enfaticamente Dom Nuno afirmou: "Quem pensa assim esta no lugar errado, se quer ser mais um igual a todos os outros seu lugar não é o seminário".

Como formador Dom Nuno falou com muita autoridade a todos os formandos presentes: "O tempo de seminário não deve ser tempo de aprender a dizer missa, isso é fácil. Antes de tudo, o tempo de seminário deve ser tempo de discernir se nossa vocação vêm de um chamado de Deus ou de nossos próprios caprichos".  O padre é um separado, um escolhido, ele é o ungido para o serviço de Deus. Cabe ao padre ser presença de Deus que une o rebanho para conduzi-lo à salvação, toda atividade pastoral do padre deve servir para salvação das almas, do contrário não faz sentido seu agir pastoral. Se a paróquia vai mal com toda certeza o padre deste povo também não vai bem.

Sobre a liturgia: "A liturgia não é só rubricas, coisas para serem observadas. Mais que isso, temos que preferir a liturgia da vida, é aí que se manifesta o essencial do ideal cristão ." Ao final das colocações de Dom Nuno foi aberto um espaço para perguntas e comentários do que foi tratado, destacamos a reflexão que surgiu sobre a crise das vocações tanto no âmbito da vida consagrada feminina e masculina. Segundo o Bispo Dom Nuno a crise das congregações femininas é maior que a crise das vocações masculinas, e isso em todo mundo possuindo raras exceções como é o caso da Índia onde se observa uma crescente das vocações femininas.

O problema das vocações principalmente femininas é encadeado por fatores em série, dizia o Bispo que em Lisboa o trabalho prestado pelas irmãs é de suma importância, porém cada vez mais reduzido, já que por serem idosas as irmãs não podem atender grandes empreitadas ficando cada vez mais limitadas a certas regiões. Dessa forma perdem a visibilidade na comunidade, e quando são vistas, são um pequeno grupo de irmãs e majoritariamente velhas o que não é nada atrativo às jovens.


Dom Nuno disse que a situação é preocupante, no entanto não é motivo de desespero, a Igreja continua a dar passos mesmo diante das dificuldades vocacionais. Existem novas formas de vida consagrada, comunidades de vida pipocam em todo mundo, é preciso colocar nossa esperança em Deus e afirmar: "Eu confio em Ti".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Campanha da Fraternidade 2026: Tanta gente sem casa e tanta casa sem gente

  O tema da Campanha da Fraternidade 2026 é Fraternidade e Moradia, e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1, 14). Trata-se antes de tudo do ...