Há poucos dias ouvi uma expressão que me
fez refletir: “A morte de um outro vivifica coisas naqueles que estão vivos, esta
é a compreensão do fluxo da natureza, vida e morte”. Talvez era justamente a chave que me faltava
para escrever estas palavras como um tributo a mulher, filósofa, jornalista, advogada,
professora, radialista, capixaba, bisavó, cronista e como ela mesma escreveu em
um dos e-mails de nossas correspondências: “De sua mais nova amiga real e
virtual” Jeanne B.
Quando
ainda se liam os jornais impressos, fui me encantando com as crônicas semanais
de Jeanne B., a admiração cresceu tanto que quis fazer contato com a dona
daquele olhar tão refinado e atencioso ao vislumbrar e refletir os fatos da
vida. Então em março de 2012, ao ler a crônica “Um passeio melancólico”, me
enchi de coragem e decidi escrever para aquela que com a genialidade de suas
palavras me ajudava a expandir meus horizontes. Peguei seu e-mail no jornal e
me aventurei a escrever e juro que pensei que não receberia resposta, escrevi
me apresentando e pedindo dicas de como escrever crônicas, pois sempre foi um
desejo meu.
Supreendentemente, depois de alguns dias,
lá estava em minha caixa de entrada o tão esperado e-mail. No início logo um
pedido de desculpas pela demora em responder, seguido de um agradecimento pelas
palavras gentis e carinhosas que lhe escrevi, na sequência uma séria de
palavras doces e empolgantes para o aprendiz de “croniquetas”. Aquele foi um
primeiro contato que se repetiu no pulsar das crônicas da Mestra e dos
comentários do aprendiz de “croniquetas”, sempre atenciosa e de uma educação
elegante respondia a cada solicitação minha. Recebi de presente uma obra de sua
autoria, com uma bela dedicatória, que guardo com muito apreço: “Zeitgeist:
Espírito do Tempo”.
Curiosamente
em março de 2022, mesmo mês que dez anos antes iniciávamos aquela inspiradora
amizade, Jeanne B. cumpriu sua missão e o passado, o presente e o futuro na
densidade de um minuto de eternidade lhe sorriu. Sua vida foi fecunda em obras
e intensa nos convívios, sua morte me reanima no caminho de aprendiz de “croniquetas”.
Tenho certeza de que se minha amiga pudesse ler estas palavras demonstraria
gratidão, por isso recolho de meus guardados e partilho com você “caro leitor”
parte de nossas correspondências: “Quando e se quiser, comunique-se. Tesouro é
o convívio com os ‘construtores’ deste novíssimo século XXI. O carinho e sinceros
agradecimentos desta velha jornalista pelos ‘presentes-incensos’ a mim
ofertados: o seu inesperado e-mail e a bela & reflexiva ‘crônica da crônica’.
Sua nova (velha...rsrs) amiga, Jeanne B”.

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