quinta-feira, outubro 20, 2022

CRÔNICA: Presentes-Incensos


Há poucos dias ouvi uma expressão que me fez refletir: “A morte de um outro vivifica coisas naqueles que estão vivos, esta é a compreensão do fluxo da natureza, vida e morte”.  Talvez era justamente a chave que me faltava para escrever estas palavras como um tributo a mulher, filósofa, jornalista, advogada, professora, radialista, capixaba, bisavó, cronista e como ela mesma escreveu em um dos e-mails de nossas correspondências: “De sua mais nova amiga real e virtual” Jeanne B.

 Quando ainda se liam os jornais impressos, fui me encantando com as crônicas semanais de Jeanne B., a admiração cresceu tanto que quis fazer contato com a dona daquele olhar tão refinado e atencioso ao vislumbrar e refletir os fatos da vida. Então em março de 2012, ao ler a crônica “Um passeio melancólico”, me enchi de coragem e decidi escrever para aquela que com a genialidade de suas palavras me ajudava a expandir meus horizontes. Peguei seu e-mail no jornal e me aventurei a escrever e juro que pensei que não receberia resposta, escrevi me apresentando e pedindo dicas de como escrever crônicas, pois sempre foi um desejo meu.

Supreendentemente, depois de alguns dias, lá estava em minha caixa de entrada o tão esperado e-mail. No início logo um pedido de desculpas pela demora em responder, seguido de um agradecimento pelas palavras gentis e carinhosas que lhe escrevi, na sequência uma séria de palavras doces e empolgantes para o aprendiz de “croniquetas”. Aquele foi um primeiro contato que se repetiu no pulsar das crônicas da Mestra e dos comentários do aprendiz de “croniquetas”, sempre atenciosa e de uma educação elegante respondia a cada solicitação minha. Recebi de presente uma obra de sua autoria, com uma bela dedicatória, que guardo com muito apreço: “Zeitgeist: Espírito do Tempo”.

Curiosamente em março de 2022, mesmo mês que dez anos antes iniciávamos aquela inspiradora amizade, Jeanne B. cumpriu sua missão e o passado, o presente e o futuro na densidade de um minuto de eternidade lhe sorriu. Sua vida foi fecunda em obras e intensa nos convívios, sua morte me reanima no caminho de aprendiz de “croniquetas”. Tenho certeza de que se minha amiga pudesse ler estas palavras demonstraria gratidão, por isso recolho de meus guardados e partilho com você “caro leitor” parte de nossas correspondências: “Quando e se quiser, comunique-se. Tesouro é o convívio com os ‘construtores’ deste novíssimo século XXI. O carinho e sinceros agradecimentos desta velha jornalista pelos ‘presentes-incensos’ a mim ofertados: o seu inesperado e-mail e a bela & reflexiva ‘crônica da crônica’. Sua nova (velha...rsrs) amiga, Jeanne B”.


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