quarta-feira, março 08, 2023

CRÔNICA: Jesus fala com a mulher (Jo 4, 27)

 

Neste dia Internacional da Mulher, comemorado desde 1911, nos perguntamos o que temos para celebrar? Percebemos avanços na conscientização da igualdade de gênero, mas ao mesmo tempo percebemos o quanto ainda precisamos caminhar ativamente para vencer as desigualdades e violências a que são submetidas as mulheres simplesmente por serem mulheres.   

Deus ama as meninas e as mulheres?

Lendo uma teólogo francesa chamada Anne Soupa, em sua obra “Deus ama as mulheres?” podemos ler: “A mulher que Deus cria é amada por quem ela é, sem que Deus lhe designe um lugar predeterminado, nem papel específico” (SOUPA, p. 113). Anne como militante da causa feminina defende a irracionalidade de legitimar religiosamente e biblicamente a superioridade de um gênero sobre outro e nos aponta a igual dignidade com que Deus criou o homem e a mulher. A referida autora ainda afirma que na Igreja a questão da mulher ainda não está resolvida, as mulheres são como formiguinhas que trabalham silenciosamente, mas que ainda precisam ocupar seus lugares de direito nas instâncias de decisão e de governo da Igreja, para tal propõe que é necessário um “Sínodo das Mulheres”.

O Brasil ama as meninas e as mulheres?

A jovem atriz Klara Castanho se tornou símbolo da mulher violentada, da violência contra as grávidas, e trouxe à tona a sórdida culpabilização das vítimas, que cala tantas mulheres agredidas em sua dignidade. Uma mulher foi agredida com um carinho de supermercado em Santo Antônio do Descoberto, cidade de Goiás, e o homem foi acusado simplesmente de lesão corporal leve pelo delegado responsável pelo caso. Outra mulher foi agredida recentemente pelo ex namorado num posto de combustíveis, em Londrina. Dados de uma pesquisa sobre violência de gênero revelam que no ano passado 35 mulheres foram agredidas a cada minuto no Brasil (Fórum Brasileiro de Segurança Pública). O feminicídio em nosso País bateu o triste recorde de 699 mortes em 2023, uma média de quatro mulheres assassinadas diariamente. Entre as mulheres negras e pouco escolarizadas a violência é ainda maior, no entanto, permanece velada como reflexo de uma sociedade forjada sobre a escravidão negra onde os corpos negros não passavam de mercadoria.

Cadê as leis?

Temos a Lei Maria da Penha que em si mesma é um recurso muito válido no combate a violência contra a mulher, mas que ainda precisa ser melhor aplicada, quantos são os relatos de mulheres que mesmo acionando a Justiça não se sentem protegidas e amparadas. Esperamos, para a data de hoje, a apresentação de um texto com um projeto de Lei para igualar o salário de mulheres e homens que exercem a mesma função. Que a Justiça seja promotora do combate a histórica desigualdade de gênero.

Esperançar com as meninas e mulheres.

Está é uma causa que diz respeito a homens e mulheres, que se reconhecem nas suas diferenças, que se respeitam, que querem a construção de um mundo melhor onde reine a justiça, a paz, o amor. Que a voz, das meninas e das mulheres, possa se erguer num grito de protesto contra toda violação de sua dignidade e de seus direitos. Nosso Senhor Jesus Cristo se fez amigo das mulheres, escutava, acolhia, não tinha medo das mulheres... Sim, é preciso dizer o óbvio, Deus ama as meninas e as mulheres.


Pelo direito à felicidade de nossas meninas e mulheres. 


Um comentário:

  1. Excelente colocação Padre Irineu, as diferenças ainda existem no trato com as mulheres. Precisamos confiar em Deus e Nossa Senhora, eles vão preservar os direitos e integridade das mulheres, fazer na humanidade o que deve ser feito. Nossa esperança é Deus e Nossa Senhora.

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