Neste dia Internacional da
Mulher, comemorado desde 1911, nos perguntamos o que temos para celebrar? Percebemos
avanços na conscientização da igualdade de gênero, mas ao mesmo tempo percebemos
o quanto ainda precisamos caminhar ativamente para vencer as desigualdades e
violências a que são submetidas as mulheres simplesmente por serem mulheres.
Deus ama as meninas e as mulheres?
Lendo uma teólogo francesa
chamada Anne Soupa, em sua obra “Deus ama as mulheres?” podemos ler: “A mulher
que Deus cria é amada por quem ela é, sem que Deus lhe designe um lugar
predeterminado, nem papel específico” (SOUPA, p. 113). Anne como militante da
causa feminina defende a irracionalidade de legitimar religiosamente e
biblicamente a superioridade de um gênero sobre outro e nos aponta a igual
dignidade com que Deus criou o homem e a mulher. A referida autora ainda afirma
que na Igreja a questão da mulher ainda não está resolvida, as mulheres são
como formiguinhas que trabalham silenciosamente, mas que ainda precisam ocupar
seus lugares de direito nas instâncias de decisão e de governo da Igreja, para
tal propõe que é necessário um “Sínodo das Mulheres”.
O Brasil ama as meninas e as mulheres?
A jovem atriz Klara Castanho se
tornou símbolo da mulher violentada, da violência contra as grávidas, e trouxe
à tona a sórdida culpabilização das vítimas, que cala tantas mulheres agredidas
em sua dignidade. Uma mulher foi agredida com um carinho de supermercado em
Santo Antônio do Descoberto, cidade de Goiás, e o homem foi acusado simplesmente
de lesão corporal leve pelo delegado responsável pelo caso. Outra mulher foi agredida
recentemente pelo ex namorado num posto de combustíveis, em Londrina. Dados de
uma pesquisa sobre violência de gênero revelam que no ano passado 35 mulheres
foram agredidas a cada minuto no Brasil (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
O feminicídio em nosso País bateu o triste recorde de 699 mortes em 2023, uma
média de quatro mulheres assassinadas diariamente. Entre as mulheres negras e
pouco escolarizadas a violência é ainda maior, no entanto, permanece velada
como reflexo de uma sociedade forjada sobre a escravidão negra onde os corpos
negros não passavam de mercadoria.
Cadê as leis?
Temos a Lei Maria da Penha que em
si mesma é um recurso muito válido no combate a violência contra a mulher, mas
que ainda precisa ser melhor aplicada, quantos são os relatos de mulheres que
mesmo acionando a Justiça não se sentem protegidas e amparadas. Esperamos, para
a data de hoje, a apresentação de um texto com um projeto de Lei para igualar o
salário de mulheres e homens que exercem a mesma função. Que a Justiça seja
promotora do combate a histórica desigualdade de gênero.
Esperançar com as meninas e mulheres.
Está é uma causa que diz respeito
a homens e mulheres, que se reconhecem nas suas diferenças, que se respeitam,
que querem a construção de um mundo melhor onde reine a justiça, a paz, o amor.
Que a voz, das meninas e das mulheres, possa se erguer num grito de protesto
contra toda violação de sua dignidade e de seus direitos. Nosso Senhor Jesus
Cristo se fez amigo das mulheres, escutava, acolhia, não tinha medo das
mulheres... Sim, é preciso dizer o óbvio, Deus ama as meninas e as mulheres.


Excelente colocação Padre Irineu, as diferenças ainda existem no trato com as mulheres. Precisamos confiar em Deus e Nossa Senhora, eles vão preservar os direitos e integridade das mulheres, fazer na humanidade o que deve ser feito. Nossa esperança é Deus e Nossa Senhora.
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