O grande e incompreendido Van Gogh pintou a famosa tela “O
quarto de Arles” (1889). Uma pintura rica em cores vibrantes, cálida nos
detalhes em madeira e na intimidade do lençol corado que parece chamar ao
repouso. Há indícios de que o autor quis expressar seus sonhos e pesadelos. No
quarto de Arles a janela está fechada... A porta está fechada... embora cheio
de cor e aconchego parece que o autor da obra está sem horizontes, só enxerga
aquilo que imediatamente o circunda, ainda que o faça com a percepção aguçada
dos mínimos detalhes.
Um homem de extrema sensibilidade, uns dizem que era alcoólatra
e outros que era esquizofrênico. Seu grande amigo, com quem se correspondia por
centenas de cartas, era seu irmão Theo, que significa “Deus supremo”. Van Gogh amigo de Theo se suicidou com um tiro
no peito aonde estava guardado o coração de esplendorosas obras de arte. Suas
últimas palavras revelam o dilema interno em que vivia: “A tristeza vai durar
eternamente”. É como se ele visse na morte a libertação de tamanha angústia
e tormento. Fico pensando sagaz leitor como que o mundo é extremamente cruel
com as pessoas sensíveis.
Que possamos pintar a vida de cores alegres, que os detalhes
não nos passem despercebidos. Que a janela verde de esperança do quarto de
nossa intimidade esteja aberta para receber a luminosidade do horizonte, sempre
nos chamando a seguir adiante. Que nosso amigo Theo, que jamais nos abandona,
esteja perto de nós a ouvir nossas lamúrias, a aliviar nossas ansiedades, a nos
convidar ao diálogo do amor que faz a vida valer a pena. Que nosso quarto de
Arles seja lugar do aconchego e do descanso, mas que jamais seja lugar de
anulação e isolamento. Que de posse da porta de nosso quarto possamos permitir
que outros visitem e contemplem o aconchego do seu interior. Esta é minha prece
para todos aqueles homens e mulheres de fina sensibilidade que provam as agruras da vida. Com a amizade de Theo temos a certeza de que o
amor é que durará para sempre.


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