12º Encontro das CEB’s do Espírito Santo –
Regional Leste 3 – CNBB
Tema: “CEB’s:
Igreja em saída na busca da vida plena para todos e todas”.
Lema: “Vejam!
Eu vou criar um novo céu e uma nova terra” (Is 65, 17).
Data e local: 13
a 15 de outubro de 2023.
Local: Paróquia
Divino Espírito Santo, Diocese de Colatina (ES).
Assessor teológico:
Padre Benedito Ferraro.
Sigla: CEB's = Comunidades Eclesiais de Base
Reverberando
o 12º Encontro das CEB’s do Espírito Santo Regional Leste 3
(O
texto a seguir foi apresentado em parte na “Fila do Povo”, na tarde do dia 14
de outubro)
Eu Irineu Claudino Sales,
padre jovem da Diocese de Colatina, filho da caminhada das CEB’s, aproveito a
oportunidade para propor uma breve reflexão. Nosso querido Estado do Espírito
Santo é marcado pela caminhada das CEB’s, aqui aconteceu em 1975 o primeiro
Intereclesial das CEB’s. Apesar das correntes contrárias são milhares de CEB’s
espalhadas em todo o território capixaba (exatamente são 3.494 CEB’s espalhadas
em todo o Estado). No entanto, os tempos são outros, o contexto de mudança de
época tem causado profundas transformações dentro e fora da Igreja.
Nossas CEB’s têm se
tornado apenas “comunidades” onde se celebram os sacramentos. A mudança
geográfica da população do campo para as periferias das grandes cidades não tem
sido acompanhada, na mesma velocidade, pela implantação de novas CEB’s, fazendo
com que o catolicismo esteja cada vez menos presente nas grandes periferias das
cidades. Empolgado com 15º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que
aconteceu na Diocese de Rondonópolis, o sociólogo Pedro Ribeiro vislumbrou a 4º
Geração das CEB’s. Mas, penso que cabe a cada um de nós que tem o coração de
CEB’s fazer uma autocrítica: será que já despontou uma nova geração das CEB’s? Será
que temos leigos e leigas formados na espiritualidade das CEB’s? Qual a faixa
etária daqueles que compõe as CEB’s? As CEB’s são pobres e estão com os pobres?
Questionamentos que
precisamos fazer para vislumbrar saídas criativas, para que as CEB’s não percam
nem espaço e nem relevância na evangelização dos homens e mulheres de nosso
tempo. O teólogo Manoel Godoy afirma: “Dizíamos que as CEB’s eram um novo jeito
de ser Igreja, hoje é preciso dizer que as CEB’s devem encontrar um novo jeito
de ser CEB’s”. Rumo a uma “Igreja em Saída”, comunhão, participação e missão
como nos pede o Sínodo da Sinodalidade é preciso ouvir os sinais dos tempos.
As CEB’s bem como as
paróquias precisam superar um modelo evangelizador rural e abraçar de uma vez
por todas a cultura da cidade, que hoje está presente até mesmo na mentalidade
de quem mora no interior. As CEB’s precisam ser lugar da juventude, aonde ela
seja acolhida, ouvida, valorizada, e assim evangelizada; os jovens tem muito a
ensinar à Igreja. Os jovens têm preocupações espirituais, humanas, sociais e
ecológicas que podem nos ensinar muito. É preciso voltar ao essencial das
CEB’s, e ao mesmo tempo deixar no
passado como parte de nossa caminhada histórica tudo aquilo que é supérfluo ou
ultrapassado. Para os novos desafios, novas respostas.
Que nossas CEB’s sejam
lugares construídos na força da Palavra de Deus, sejam pequenas comunidades
pobres que acolhem os pobres, e que através da diversidade ministerial o protagonismo
dos leigos e leigas seja reavivado como remédio ao clericalismo. Depois de 48 anos, o 16º Intereclesial das
CEB’s acontecerá em 2027 novamente no nosso querido Estado do Espírito Santo. Que
seja motivo de reascender em todos nós a esperança numa Igreja de comunidades
eclesiais de base, aonde se evangeliza de modo integral.

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