No fim do ano a ansiedade
aumenta em nossos corações, ouvi num telejornal que a ansiedade cresce em cerca
de 75%, não me pergunte como se mede isso caro (a) leitor (a). No estrangular
derradeiro do ano começamos a melancólica avaliação, uma análise das metas
programadas, contabilização dos resultados obtidos, etc. Uma lógica de produção
toma conta de nós, como se a produção fosse o único critério para sabermos se
obtivemos ou não sucesso em nossas empreitadas.
A vida humana é muito
mais complexa do que metas pré-fixadas. Graças à Deus estamos submetidos às
surpresas da vida, as vezes promissoras e alegres ora desastrosas e tristes. Infelizmente
os critérios do consumismo é que tem sido utilizados para afirmar uma vida
feliz. Se você consome, você existe e é feliz. Se você não consome você é o
único responsável pela sua má sorte de vida. Cruelmente afirma-se que qualquer
pessoa pode ser o que quiser, basta querer. Mas que mentira cabeluda, afirmava
uma canção popular.
Ao fim deste ano fico
pensamento em quantos lugares pude visitar e conhecer; com quantas pessoas
partilhei a vida; quanto conhecimento tive a oportunidade de obter ... De fato,
foram muitas atividades e experiências de crescimento e humanização.
Naturalmente chegamos nesta hora do ano com certo cansaço e exaustão, pois o
tempo não para e nossas vidas estão cada vez mais aceleradas.
No meio deste turbilhão a
fé cristã pode oferecer o desejado descanso e o remédio necessário para a
avidez capitalista. É de Jesus Cristo a expressão: “Vinde a mim todos vós que
estais cansados e fatigados sobre o peso dos vossos fardos que eu vos darei
descanso, tomai sobre vós o meu julgo e aprendei de mim que sou manso e humilde
de coração” (cf. Mt 11, 22-30). Com Jesus aprendemos uma lógica que vai na
contramão da lógica do acúmulo e do consumo. Com o mestre Jesus aprendemos a
lógica da simplicidade, do necessário, da humanização, do altruísmo, enfim a
lógica do amor.
Infelizmente os homens e
a mulheres de nosso tempo pensam que não precisam de Deus, talvez por isso o
mundo está como está. Nós que temos a alegria de sermos abençoados com a
presença de um Deus que se importa conosco e que se faz próximo, não podemos
guardar esta alegria só para nós. O mundo tem sede de salvação, e esta salvação
tem nome, é uma pessoa chamada Jesus Cristo. Caro (a) leitor (a) o tom
religioso desta crônica visa suscitar esperança num mundo tão complexo e cheio
de sombras, num mundo aonde já vivemos uma “terceira guerra mundial em pedaço”
(expressão do papa Francisco). Que a fé se renove em nossos corações e que
venha o próximo ano e que ele nos encontre lutando pela construção de um mundo
melhor.


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