O sino tocou nota fúnebre na
Catedral. Quem morreu? Alguém perguntou. Foi o Rio Doce que morreu, anuncia a
Igreja Local de Colatina, que desde o rompimento da barragem, prometeu através
do seu então bispo diocesano Dom Wladimir Lopes Dias que não se esqueceria, que
não deixaria que a lama do esquecimento tomasse conta.
Era o dia 5 de novembro
de 2015, aconteceu o rompimento da barragem em Mariana (MG), deixando 19
vítimas fatais e um prejuízo ambiental incalculável. Era, até então, a maior
tragédia socioambiental do País. A Diocese de Colatina foi diretamente atingida
nas cidades de Baixo Guandu, Colatina e Linhares. Falar de desastre parece
falar de um desastre natural, no entanto, podemos até chamar de desastre, mas
nunca pensar que foi natural, suas causas são facilmente identificáveis...
Diante do desastre, ficamos sem saber qual rumo tomar. Mas, desde então, não
medimos esforços no compromisso de não esquecer essa tragédia sem precedentes e
suas graves consequências.
Foi criado o “Manifesto
Unidos pelo Rio Doce”, uma iniciativa que manifestava nosso repúdio e
exigência pela reparação dos danos causados. A Igreja não esqueceu e é uma voz
que não se calará! Por isso, participamos nesta tarde de um manifesto ecumênico
e novamente afirmamos: “Somos todos atingidos!”
Já se vão dez anos do
rompimento da barragem de Fundão, o maior desastre ambiental do Brasil. Passados
dez anos quem foi condenado? A Justiça Federal, em 2024, absolveu a Samarco, a
Vale e a BHP. Condenado foi o povo, que não usa com tranquilidade a água de
qualidade duvidosa; condenados foram a fauna e a flora do Rio Doce; condenados
foram os ribeirinhos e povos originários que viviam em suas margens; condenados
foram nossos descendentes que terão que lidar com os efeitos nocivos dos metais
pesados que se encontram ao longo da calha do rio. No caminho de conversão
ecológica precisamos aprender que o lucro não vale a vida! Que em meio a lama
possa brotar a perfumada flor da esperança em dias melhores, que neste ano do
Jubileu da Esperança possamos construir com as ferramentas de hoje um novo
amanhã.

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