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| Extremos da sociedade. |
Faz
alguns dias que venho pensando sobre a melhor maneira de ajudar o outro, de
forma a não oprimir e humilhar ainda mais quem de mim necessita. Pode até
parecer presunção, no entanto, se abrirmos bem os olhos percebemos quantas
pessoas podemos ajudar, e isso, desde um simples sorriso àquele alguém que você
encontra em seu caminho. Não devemos nos aproximar seja de quem for de qualquer
maneira, antes de tudo é preciso colocar-se no mesmo nível que o outro, isso é
tornar-se próximo.
Em
minha visita mensal ao Asilo de Vitória, alguém me pergunta: "Você esta
lembrado de mim?" Surpreso mal pude pensar de quem se tratava, a tentação
foi pensar que a simpática senhora havia me confundido com alguém, então me
aproximei e disse que não me lembrava do nome, mas de sua fisionomia sim.
"Você disse que não esqueceria meu nome. Me chamo Irene e você
Irineu". Naquele momento senti em meu coração o ressoar das palavras de
uma tal raposa a um pequeno príncipe: "Tu te tornas eternamente responsável
pelo que cativas". Quantas pessoas visitaram aquela mulher desde minha
última visita, mas para ela eu me tornei o Irineu, não um visitante como os
outros.
Ir
ao asilo, me faz refletir sobre a vida, questões existenciais se levantam, e eu
busco perscrutar o que há de bom nisso. São instantes junto a anciãos que com
extremada vontade de falar, expressam a sabedoria adquirida com os anos de
sobrevivência. O que faço por eles é quase nada, vou ouvir, estar próximo, dar
um afago naqueles que me permitem. Já eles sem saber me ajudam a viver melhor,
me humanizam, me ensinam que a vida não é eterna, que tudo passa, que o corpo
se deteriora em vida, que a beleza exterior não passa de uma futilidade, que viver
exige intensidade, que a vida pode ser bela mesmo quando estamos doentes e longe dos familiares, que a morte pode ser um
grande tormento ou simplesmente um partir para o além mar...
Houve
um tempo em que os cabelos brancos significavam sabedoria, que a fisionomia marcada
pelo tempo dava autoridade e reclamava um respeito quase que automático. Hoje o
idoso é visto como um improdutivo, no máximo um consumidor de inflacionados
planos de saúde, de remédios, de viagens para terceira idade, etc. O
velho em nossa sociedade frenética pela novidade, não tem espaço, é o ser
humano ultrapassado que não dá conta de acompanhar o acelerado ritmo das
mudanças da sociedade.
Sem a valorização dos extremos da sociedade, infância e velhice, em breve nos tornaremos uma sociedade ainda mais doente, esquecida de sua história e sem perspectivas de futuro promissor. Cada vez mais as crianças querem ser chamadas de jovens, idosos reivindicam o título de jovem de espírito, como se a vida humana não fosse constituída de estágios. Aos amigos o augúrio, seja qual for seu estágio de vida: Carpe diem.
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