A fome é muito mais que uma
necessidade biológica, sentimos fome não só de alimentos para garantir nossa
energia vital. Olhando um sacrário feito artesanalmente fiquei encantado com a
nobre simplicidade da peça. Algo chamou minha atenção, na porta do sacrário
contemplei um prato de vidro temperado, tipo aqueles “Duralex” que normalmente
temos em nossas casas. Para nós católicos o sacrário é o lugar especial onde
preservamos o Sagrado Pão Eucarístico, que para nós é o Corpo de Nosso Senhor
Jesus Cristo. Aquele prato na porta do sacrário como a nos lembrar que nem só
de pão vive o homem (Mt 4, 4), que a nossa vida não é só biológica, na
Eucaristia vislumbramos a vida eterna. O prato do sacrário é prato cheio do
alimento divino, o Pão dos anjos, a nos lembrar que também os pratos de nossas
mesas não podem estar vazios, lembrando-nos ainda que se sobra pão para nós é
preciso aumentar o tamanho da nossa mesa e não a altura dos nossos muros.
O prato no sacrário nos fala da fome de Deus que deve habitar todo crente, mas fome de qual Deus? Um deus indiferente ao prato vazio dos miseráveis ou um Deus que quer pão em todas as mesas. Mas, o ser humano na sua complexidade sente outras fomes também, fomes que fazem doer não só o estômago, como também fazem doer a alma.
Quantas
pessoas com fome de sentido de vida. Tristemente recebi uma mensagem onde um
amigo me pedia orações pelo seu pai que acabara de se suicidar... Eis a fome de
sentido de vida, fome que mata assim como mata a fome da barriga vazia. Outra
mensagem em meu aparelho celular, um amigo compartilhando o suicídio de um
jovem que tinha o sonho de ser um religioso, com fome de sentido de vida aquele
jovem se jogou para fora da vida pulando de uma ponte.
Ah! Como cruel é a fome! A
carência, a ausência, o vazio, as náuseas, a dor, a fraqueza, e por fim a
sonolência da dormência da morte. Diante da intransigência da fome nos resta
dois caminhos, saciá-la ou por ela sermos devorados. No meu coração brota a fome de
justiça diante de tantos acontecimentos irrefreáveis e mortais. O caminho deve ser feito de olhos abertos para conhecer as fomes que vão dentro de nós e as fomes de quem está ao nosso lado.

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