Recordando o teólogo João Batista Libânio SJ. , grande intelectual brasileiro,
vez por outra é bom nos questionarmos sobre a etimologia das palavras. De
origem grega a palavra diálogo é composta de diá + logos, “através da Palavra”.
O diálogo se dá no encontro entre duas ou mais pessoas, um encontro mediado
pelas palavras. Como são poderosas as palavras na sua capacidade de desvelar os
nossos pensamentos. Recentemente me frustrei com uma pessoa que considerava tão
capacitada para o diálogo... E sei que o outro não tem culpa, culpa maior tenho
eu, em colocar nos outros expectativas que são só minhas.
Suponho que no diálogo precisamos ter abertura para ouvir o outro que
pensa diferente de mim, o diálogo verdadeiramente fecundo acontece entre
pessoas que mesmo pensando diferente conseguem se aproximar e respeitosamente
trocar conhecimentos. Certa vez ouvi: “Nunca aprendi nada de novo com aqueles
que pensam igual a mim”.
Mas, quantas coisas
entravam o desejo de boas conversas e diálogos fecundos de novidade. Entraves
como o preconceito, o fundamentalismo, a intolerância, o racismo, o ressentimento,
a violência, etc. No referido diálogo que tentei suscitar, percebi que minhas
palavras não eram toleradas, que o meu lugar de fala enquanto homem religioso não
estava sendo considerado. Num primeiro impulso veio o sentimento de raiva, de revolta
e desejo de revanche. Um respiro profundo e então pude recobrar a racionalidade
perdida por alguns instantes. Silêncio!
Decido então seguir e
dialogar com aqueles que quiserem dialogar. Descubro que “ídolos” devem ser
mantidos à distância, porque de perto, todos nós nos assemelhamos em nossas
mazelas. E revestido do meu lugar de fala, recordo o que já dizia o livro
bíblico de Jeremias: “Maldito o homem que confia no homem” (Jr 17, 5). Com
estas palavras de desassossego, manifesto minha indignação e ao mesmo tempo
reafirmo minha fé em cada homem e mulher que se coloca no caminho de aprender a
dialogar. No diálogo podemos criar um mundo de plurivivacidade, no monólogo,
que hipocritamente tenta se disfarçar em tons de diálogo, a vida se enrijece e
definha. Na vida conjuguemos o verbo dialogar.


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