sábado, novembro 04, 2023

CRÔNICA: No diálogo a plurivivacidade

Recordando o teólogo João Batista Libânio SJ. , grande intelectual brasileiro, vez por outra é bom nos questionarmos sobre a etimologia das palavras. De origem grega a palavra diálogo é composta de diá + logos, “através da Palavra”. O diálogo se dá no encontro entre duas ou mais pessoas, um encontro mediado pelas palavras. Como são poderosas as palavras na sua capacidade de desvelar os nossos pensamentos. Recentemente me frustrei com uma pessoa que considerava tão capacitada para o diálogo... E sei que o outro não tem culpa, culpa maior tenho eu, em colocar nos outros expectativas que são só minhas.

Suponho que no diálogo precisamos ter abertura para ouvir o outro que pensa diferente de mim, o diálogo verdadeiramente fecundo acontece entre pessoas que mesmo pensando diferente conseguem se aproximar e respeitosamente trocar conhecimentos. Certa vez ouvi: “Nunca aprendi nada de novo com aqueles que pensam igual a mim”.

Mas, quantas coisas entravam o desejo de boas conversas e diálogos fecundos de novidade. Entraves como o preconceito, o fundamentalismo, a intolerância, o racismo, o ressentimento, a violência, etc. No referido diálogo que tentei suscitar, percebi que minhas palavras não eram toleradas, que o meu lugar de fala enquanto homem religioso não estava sendo considerado. Num primeiro impulso veio o sentimento de raiva, de revolta e desejo de revanche. Um respiro profundo e então pude recobrar a racionalidade perdida por alguns instantes. Silêncio!

Decido então seguir e dialogar com aqueles que quiserem dialogar. Descubro que “ídolos” devem ser mantidos à distância, porque de perto, todos nós nos assemelhamos em nossas mazelas. E revestido do meu lugar de fala, recordo o que já dizia o livro bíblico de Jeremias: “Maldito o homem que confia no homem” (Jr 17, 5). Com estas palavras de desassossego, manifesto minha indignação e ao mesmo tempo reafirmo minha fé em cada homem e mulher que se coloca no caminho de aprender a dialogar. No diálogo podemos criar um mundo de plurivivacidade, no monólogo, que hipocritamente tenta se disfarçar em tons de diálogo, a vida se enrijece e definha. Na vida conjuguemos o verbo dialogar.



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